Em meio a críticas, Ministro da Saúde recebe ativistas e pesquisadores para debater política de Aids.
Publicada em: 05/09/2012
A convite do Ministério da Saúde, um grupo de pesquisadores e ativistas de organizações da sociedade civil se reuniu ontem com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para falar da política de AIDS no Brasil. Recentemente, muitos manifestos, artigos, entrevistas e passeatas têm apontado retrocessos na resposta brasileira à epidemia.

Dentre as principais criticas está a constatação de que os canais de diálogo do governo com o movimento social e com pesquisadores têm sofrido uma preocupante deterioração. 

O grupo que se reuniu com o Ministro apresentou cinco pontos que considera essenciais para o futuro do enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS no Brasil:

1. Reconhecimento de que há uma epidemia de AIDS crescente no Brasil.
 
2. A política de AIDS deve estar baseada nos Direitos Humanos, garantindo os direitos das populações vulneráveis mais atingidas pelo HIV como HSH, transexuais, trabalhadores e trabalhadoras comerciais do sexo, pessoas privadas de liberdade e usuários de drogas. Não é possível tolerar censuras às campanhas de prevenção para estas populações.

3. Apoio ao fortalecimento institucional das ONGs que trabalham com HIV/AIDS

4. Reforço a Estados e Municípios, que estão fechando ambulatórios e leitos e não repõem profissionais que deixam os serviços. Ressalte-se que isto ocorre num contexto em que há um número crescente de pacientes com HIV/AIDS em acompanhamento.

5. Discussão ampla, envolvendo gestores, pesquisadores e sociedade civil a respeito da incorporação das novas tecnologias de prevenção visando à diminuição das novas infecções.

De acordo com os participantes da reunião, estes pontos não pretendem esgotar o elenco de temas pertinentes ao controle do HIV/AIDS no Brasil. Os ativistas e pesquisadores esperam que esta reunião saia uma política renovada e baseada no diálogo e construção conjunta da resposta ao HIV/AIDS, algo que já foi uma marca distintiva das ações de AIDS no Brasil.

A agenda foi bem recebida e houve reconhecimento por parte do Ministério de que esses cinco pontos são importantes de serem trabalhados. Perante este reconhecimento fica latente a necessidade de constante mobilização em cima desses cinco pontos, para que eles sejam sempre encarados como prioritários pelo Ministério. A expectativa dos ativistas e pesquisadores é de que a reunião represente um passo importante na melhora do diálogo entre Estado e sociedade, no entanto, é apenas através da mobilização constante de todos os setores que um diálogo amplo e inclusivo pode de fato se estabelecer e asseguras medidas concretas e necessárias no enfrentamento da epidemia.
 
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