O QUE É AIDS?


O que significa AIDS?

AIDS, do inglês Acquired Immunodeficiency Syndrome, é a sigla para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

  • Síndrome é um conjunto de sintomas e sinais que constitui uma doença;
  • Imunodeficiência é uma debilidade no sistema de defesa (imunológico) do nosso corpo que combate doenças;
  • Adquirida significa que você a adquire durante a vida, ou melhor, você não nasce com ela por herança genética.

A AIDS ou SIDA é causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Caso você seja  infectado pelo HIV, seu corpo tentará atacar a infecção desenvolvendo anticorpos (moléculas especiais que combatem os microorganismos estranhos que entram em nosso corpo, no caso, o HIV). Ao fazer um exame de sangue para saber se você é soropositivo, o teste detecta estes anticorpos (teste anti-HIV). Se existem anticorpos em seu sangue isto significa que você está infectado pelo HIV. A pessoa que possui anticorpos contra o HIV é denominada “HIV positivo”, soropositiva, portadora do HIV ou pessoa vivendo com HIV.

Ser HIV positivo ou estar infectado pelo vírus não significa o mesmo que ter AIDS (estar doente). Muitas pessoas soropositivas vivem bem por anos sem apresentar sintomas da doença. Existe um ataque progressivo e constante ao sistema imunológico pelo HIV. Quando o sistema imunológico fica enfraquecido (imunodepressão), os vírus, parasitas, protozoários, fungos e bactérias que normalmente não causam nenhum problema podem produzir doenças. Estas enfermidades são conhecidas como “infecções oportunistas”.


Como você contrai o HIV?

O sangue, o fluído vaginal, o pré-sêmen (fluido seminal), o sêmen e o “leite materno” de pessoas com HIV possuem vírus suficiente para infectar outras pessoas. Você pode receber o HIV de uma pessoa infectada, mesmo que ela não esteja doente, ou mesmo ainda, antes que ela tenha sido diagnosticada como HIV positivo. A maioria das pessoas contrai o HIV das seguintes formas:

  • Por manter relações sexuais desprotegidas, sem o uso do preservativo, com alguém infectado;
  • Compartilhando a mesma agulha ou seringa, ao consumir drogas, com pessoa infectada, por não esterilizar o material utilizado no “pico”, ou ainda quando compartilha o canudo;
  • Por nascer de mãe infectada. O bebê pode ser infectado antes, durante ou depois do parto, como por exemplo, ao ser amamentado com o leite de mulher soropositiva.

Antigamente, outra forma de contaminação por AIDS era através de transfusão (recebimento) de sangue de um doador infectado, mas atualmente o fornecimento de sangue é examinado cuidadosamente. Mesmo assim, não deixe de verificar se o sangue que você, alguém de sua família ou um amigo irão receber (transfusão), foi testado para o HIV, sífilis, hepatite (A, B e C), HTLV e doença de Chagas (transmitida pelo inseto barbeiro). O mesmo vale para casos de transplante de órgãos.

Não existe nenhum caso documentado de transmissão do HIV pela lágrima ou saliva.

No início dos anos 90, a AIDS passou a estar entre as principais causas de morte. Entretanto, em 1996 surgiu um novo tratamento com combinação de três drogas, denominado terapia anti-retroviral altamente potente (HAART, sigla em inglês) – o “coquetel”. Este tratamento reduziu em torno de 50% as taxas de mortalidade, além de reduzir em 80% as internações hospitalares por infecções oportunistas. Além disso, novos tratamentos contra as infecções oportunistas também contribuíram para a redução da mortalidade por HIV/AIDS.


Como saber se sou soropositivo para o HIV?

É muito difícil para você saber quando se infectou pelo HIV porque a maioria dos sintomas iniciais da infecção se confunde com os de outras doenças. Algumas pessoas têm febre, sentem dor de cabeça, de estômago, nos músculos ou nas articulações e são acometidas de inchaço nas glândulas linfáticas (ínguas) ou rash cutâneo (coloração avermelhada da pele) durante uma ou duas semanas. A maioria das pessoas pode pensar que é uma gripe. Outras pessoas não sentem nenhum sintoma. Portanto, o teste anti-HIV é o único meio eficaz e seguro de você saber se é HIV positivo ou não.

O vírus multiplica-se em seu corpo por semanas, ou até meses, antes que seu sistema imunológico responda efetivamente. Durante este tempo, o resultado do teste pode ser negativo para o HIV (janela imunológica), mas você já está em condições de infectar outras pessoas. Quando seu sistema imunológico começa a responder e a criar anticorpos (e o seu teste dá positivo), você torna-se soropositivo para o HIV ou HIV positivo - soroconversão.

Mesmo apresentando ou não os primeiros sintomas (síndrome de soroconversão), algumas pessoas se sentem saudáveis durante muitos anos. Mas durante este tempo o HIV continua multiplicando-se e danificando progressivamente o sistema imunológico.

Uma maneira de medir o quanto danificado está seu sistema imunológico é fazer uma contagem de suas células CD4+. Estas células, também conhecidas como células "T auxiliadoras", são partes importantes de seu sistema imunológico. Normalmente, a pessoa “HIV negativo” possui entre 500 e 1.500 células CD4+ por milímetro cúbico de sangue.

Sem o tratamento adequado, a quantidade de células CD4+ irá diminuir progressivamente e você poderá desenvolver sinais da doença, tais como febre, emagrecimento, suores noturnos, diarréia ou inchaços nos nódulos linfáticos (ínguas) que se situam na cabeça, pescoço, axilas, na região genital etc. Caso não esteja em acompanhamento, é hora de procurar um médico experiente em assistência a pacientes com HIV/AIDS.


Como eu sei se tenho AIDS?

A infecção por HIV converte-se em AIDS quando você faz um exame de células de defesa CD4+ e o resultado é abaixo de 200 células por mililitro cúbico de sangue, ou quando você apresenta sintomas e desenvolve uma infecção oportunista. Existe uma lista das infecções oportunistas que é publicada pelo Centro de Controle de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control ou CDC). As mais comuns são:

  • Pneumonia por pneumocistis carini ou pneumocistose, uma infecção pulmonar (sigla em inglês, PCP);
  • Sarcoma de Kaposi, um câncer que ataca mais comumente a pele, mas pode afetar outros órgãos (sigla em inglês, KS);
  • CMV (citomegalovirose), uma infecção que normalmente afeta os olhos, mas também pode atacar outras partes do corpo;
  • Candidíase, uma infecção que pode causar placas brancas na boca ou problemas na garganta, na vagina e no pênis.

A AIDS também inclui em seu quadro a perda de peso corporal, tumores no cérebro (estágio avançado) e outros problemas de saúde, além das infecções oportunistas. Sem tratamento pode levá-lo à morte. Lembre-se que, desde 1996, a terapia anti-retroviral altamente potente reduziu em torno de 50% o número de mortes por AIDS.

A síndrome manifesta-se de forma diferente em cada pessoa infectada.


Existe cura para a AIDS?

Atualmente não existe cura para a AIDS. Existem medicamentos denominados anti-retrovirais (ARV) que podem retardar o progresso da doença e reduzir a velocidade do dano ao seu sistema imunológico. Estes medicamentos diminuem a replicação viral, porém, não conseguem tirar todo o vírus do seu corpo.

Também existem medicamentos para prevenir e tratar infecções oportunistas. Estes medicamentos funcionam bem, na maioria dos casos.

O teste anti-HIV


O que é o teste de HIV (anti-HIV)?

O teste anti-HIV indica se a pessoa está infectada, ou não, com o vírus da imunodeficiência humana, que causa a AIDS. Este teste detecta os anticorpos contra o HIV que são produzidos pelo nosso corpo. Os anticorpos são proteínas produzidas pelo nosso sistema imunológico (de defesa) na luta contra um germe (microorganismo) específico.


Onde fazer o teste anti-HIV?

Você pode solicitar o teste anti-HIV no consultório de seu médico, mas  também pode ser realizado sem prescrição médica em diversos serviços de saúde pública e nos centros de testagem e aconselhamento (CTA). Aqui no Brasil, você pode saber os locais de testagem anônima e gratuita navegando pelo site do Ministério da Saúde: <http://www.aids.gov.br>. Clique em prevenção, depois em teste de AIDS, ou faça uma busca com a palavra CTA. Na cidade do Rio de Janeiro existe CTA em Botafogo (2295-2295 R: 234), Centro (2293-2255), Tijuca (2569-9615) e em Madureira (3390-0180 R: 225). No estado do Rio de Janeiro existe CTA em São João de Meriti (2756-8504), Duque de Caxias (2671-7659 R: 204), Nova Iguaçu, Niterói, Volta Redonda, Campos e em Macaé.

O resultado do teste nos serviços públicos, em média, está disponível entre três e quatro semanas após a coleta de sangue. Na rede particular o tempo é menor. O teste anti-HIV mais comum é o exame de sangue. Entretanto, já existem novos testes que podem detectar anticorpos contra o HIV, na saliva e na urina (testes rápidos). Mas estes testes não estão disponíveis no Brasil para a população em geral. 


Testagem Anônima

Você pode e tem o direito de fazer o teste anti-HIV de forma anônima e gratuita e o ideal é que faça um primeiro teste para certificar-se de sua sorologia. Para a realização do teste gratuito, existem os centros de testagem e aconselhamento (CTA). Os centros de testagem e aconselhamento têm como objetivo atender todo e qualquer cidadão com dúvidas em relação a sua condição sorológica para o HIV. Tais centros são unidades de saúde que oferecem o diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV, de forma gratuita, atendendo a demanda tanto espontânea quanto provocada. O sigilo e o aconselhamento pré e pós-teste são oferecidos nestas unidades que podem contar com médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos que acompanham a pessoa antes e depois da testagem.

Na primeira coleta de sangue, dois tipos de testagem são realizados: ELISA 1 e ELISA 2. Já na segunda coleta, para confirmação de resultado positivo anterior, realiza-se mais dois tipos de testagem, desta vez, o “Western Blot” e a “Imunofluorescência”. Após duas coletas com resultados positivos, o que confirma um diagnóstico de infecção por HIV, ou duas coletas com resultados negativos, você não poderá ficar indo sempre ao centro de testagem quantas vezes quiser para acreditar no resultado positivo ou no negativo. Pois, o segundo resultado positivo na segunda coleta confirma o diagnóstico e o segundo resultado negativo também na segunda coleta confirma a não infecção. Então, o ideal e correto, é você passar a se prevenir, de modo a não ficar recorrendo sempre aos testes que são anônimos e gratuitos.  

Caso receba um diagnóstico de soropositividade para o HIV num CTA, você terá informações sobre direitos, atendimentos psicológico e médico. E se você precisar de qualquer serviço médico para tratamento de infecções relacionadas ao HIV, ou seja, em virtude de um quadro de AIDS, seu caso será informado às autoridades competentes. Tal informação objetiva rastrear e seguir a epidemia, mas não perseguir as pessoas infectadas. Os relatórios fornecidos pelos boletins de epidemiologia não incluem nomes.


O que significa o resultado positivo?

Caso você tenha um primeiro resultado positivo, você terá direito de fazer uma segunda coleta de sangue para confirmação do diagnóstico de soropositividade. Se sua primeira testagem for negativa, e não estando no período de janela imunológica, ou seja, caso não tenha praticado ou sofrido comportamento de risco até três meses antes do teste, você, provavelmente, não está infectado, mas só uma segunda coleta confirmatória lhe dará maior certeza.

Se você recebe um resultado negativo significa que você não entrou em contato com o HIV, desde que tenha adotado corretamente as medidas preventivas para o ato sexual e/ou para outras situações de potenciais riscos: uso de drogas, recepção de sangue, por exemplo. Caso tenha adotado ou sofrido comportamento de risco, mesmo com o resultado negativo, você pode estar em período de janela imunológica: quando o corpo ainda está produzindo anticorpos contra o HIV que não estão em quantidade suficiente para serem detectados pelo teste. Além disso, o resultado do teste, sendo negativo, não significa que você é imune ao vírus, portanto, continue se protegendo da infecção por HIV.

Após duas coletas de sangue, o resultado positivo, conclusivo, indica que você possui anticorpos contra o HIV e está infectado. Um profissional lhe dará o resultado e informará a você onde conseguir serviços de saúde e apoio emocional.

Receber o resultado positivo não significa que você tem AIDS. Muitas pessoas que recebem o resultado positivo do teste anti-HIV vivem bem e com boa saúde por anos e nem todos os recém- diagnosticados necessitam começar imediatamente o tratamento anti-HIV (terapia anti-retroviral). Lembre-se de que a AIDS é uma doença de evolução demorada e também um processo lento cuja progressão para a morte é marcada por uma série de doenças, denominadas infecções oportunistas.


Os testes são confiáveis?

Não é necessário repetir várias vezes o teste anti-HIV, pois os resultados são confiáveis em mais de 99.5% dos casos. Antes de receber o resultado positivo final e conclusivo, a testagem é feita quatro vezes, em duas coletas de sangue. O primeiro e segundo testes, conhecidos como "ELISA" (1 e 2), são menos específicos, pois podem detectar anticorpos de outras infecções que não necessariamente por HIV. As primeiras versões deste teste eram muito lentas e freqüentemente davam resultados falsos positivos. As novas versões são muito mais rápidas e exatas.

Antes de confirmar um diagnóstico de soropositividade para o HIV, após resultado positivo pelo teste ELISA, recorre-se a outros dois tipos de testes confirmatórios, que são mais confiáveis e específicos: o “Western Blot” por detectar anticorpos específicos para o HIV e a “Imunofluorescência”. Persistindo dúvidas, um outro procedimento para confirmar a soropositividade para o HIV é utilizar o método PCR (reação da cadeia polimerase) que é bem específico e também muito caro. No entanto, existem duas circunstâncias especiais que podem levar a resultados falsos:

Um: as crianças nascidas de mãe HIV positiva podem receber resultados falsos positivos do teste anti-HIV. Isto porque as mães passam a seus filhos recém-nascidos seus anticorpos para que estes lutem contra as infecções. Mesmo quando as crianças não estão infectadas com o vírus, elas possuem os anticorpos contra o HIV que lhes foram doados pela mãe. Então, como o teste detecta os anticorpos, o resultado nestas crianças é positivo, mas não significa que elas têm o vírus, mas, sim, os anticorpos que eram da mãe. Portanto, deve-se utilizar outros testes para o diagnóstico do HIV em crianças. Será considerada infectada, segundo a Coordenação Nacional de DST/Aids, a criança de até 24 meses que apresentar resultado positivo em duas amostras testadas pelos seguintes métodos: cultivo de vírus, detecção de RNA ou DNA viral, ou antigenemia p 24 com acidificação. Estes testes deverão ser realizados após duas semanas de vida do bebê. A técnica da antigenemia p 24 com acidificação somente poderá ser utilizada como critério de diagnóstico se associada a um dos demais métodos citados. 

Dois: as pessoas recentemente infectadas, há menos de três meses quando da realização do teste anti-HIV, podem receber um resultado falso negativo. É necessário entre três semanas e três meses para nosso corpo produzir os anticorpos contra o HIV. Durante este período de incerteza (janela imunológica) a pessoa pode receber um resultado negativo, porém já é capaz de transmitir o vírus a outros, se estiver infectada. Saber sobre sua sorologia para o HIV pode ser uma medida importante e válida, pois na atualidade existem recursos para o diagnóstico precoce e para o tratamento e controle do vírus que oferecem uma melhor qualidade de vida às pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Outros casos de resultados falso-negativos podem ocorrer devido à sensibilidade dos testes e a causas técnicas: troca de amostras, uso de reagentes fora do prazo de validade, utilização de equipamentos desajustados, pipetagem incorreta e por conta do transporte e armazenamento inadequado das amostras ou Kits.


Resumindo

O teste anti-HIV procura anticorpos no sangue, na saliva e na urina. O sistema imunológico produz estes anticorpos para lutar contra o HIV, mas esta produção pode demorar até três meses para que sua quantidade seja detectada pelo teste anti-HIV. Durante este período de incerteza (janela imunológica), você pode receber um resultado negativo ou indeterminado, mesmo já estando infectado. Os testes anti-HIV mais comuns para o diagnóstico de infecção por HIV não funcionam para os bebês recém-nascidos de mãe HIV positiva. Você pode fazer o teste anti-HIV de forma anônima, gratuita e sem prescrição médica. Com o resultado positivo confirmado não significa que você tenha AIDS (esteja doente), mas, sim, que está infectado (soropositivo). Se você tem o resultado positivo confirmado, deve conhecer mais sobre o HIV e decidir como cuidar melhor da sua saúde.

Orientações para sexo seguro e protegido


Como você contrai ou transmite o HIV durante o sexo?

Para ocorrer transmissão do HIV durante o sexo, é necessário que uma das pessoas seja soropositiva, tendo o vírus no sangue e nos fluídos sexuais. Os fluídos sexuais vêm do pênis (pré-sêmen ou sêmen) e da vagina (sangue menstrual, “líquido lubrificante”), seja antes, durante ou depois do orgasmo. Você pode contrair o HIV quando os fluídos sexuais do homem ou da mulher (ou o sangue), infectados, entram no seu corpo por prática sexual com penetração e sem o uso do preservativo masculino ou feminino.  

Você não pode transmitir o HIV se não tem a infecção por tal vírus. Caso seu companheiro (a) não seja infectado com o HIV, mas você sim, mesmo assim, não há risco algum de infecção por HIV para ele ou ela, desde que não exista nenhum contato deles com seu sangue ou com seus fluídos sexuais, seja por práticas sexuais seguras ou protegidas (uso do preservativo masculino ou feminino), seja por práticas sem penetração, pois a pele, caso esteja sã, é uma barreira natural que impede a entrada do sangue e de outras secreções no seu corpo.

Lembre-se: não entrando em contato com fluído sexual de homem ou de mulher ou com sangue, de modo a não deixá-los entrar em seu corpo, você não tem possibilidade de estar infectado por HIV pela via sexual. Praticar sexo seguro (e protegido) é uma forma de reduzir o risco de você contrair o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis durante o ato sexual.


Quão é arriscado?

Fantasias, masturbação, conversas eróticas e massagem sexual são consideradas práticas seguras. Estas atividades evitam o contato com sangue ou com os fluídos sexuais de homens ou de mulheres, assim, não existe nenhum risco de infecção pelo HIV.

Não podemos saber se alguém está infectado somente observando sua aparência. Além disso, as pessoas podem esconder e até mesmo não saberem de sua condição sorológica. Já algumas pessoas se infectaram com HIV numa única relação sexual com penetração sem o uso do preservativo (sexo desprotegido ou inseguro).

Algumas pessoas que já obtiveram o resultado negativo no teste anti-HIV acham que são imunes ao vírus e continuam praticando sexo desprotegido e inseguro (sexo oral, anal e vaginal sem uso do preservativo). Tal postura é um engano. O correto é, após o resultado negativo, continuar se protegendo ou passar a adotar tal comportamento de proteção usando preservativo em todas as relações sexuais com penetração, se antes não o fazia. Além disso, as pessoas com resultado negativo podem ter se infectado depois de terem feito o teste ou podem ter feito o teste bem no início da exposição e infecção pelo HIV, podendo estar em período de janela imunológica. Este período é o tempo que seu corpo demora em produzir anticorpos contra o HIV em quantidade suficiente para ser detectada pelo teste anti-HIV. Este tempo gira em torno de três meses, portanto, se você se expôs ou sofreu um comportamento de risco (sexo desprotegido, por exemplo), há menos de três meses de um teste anti-HIV, significa que o resultado de tal teste não é conclusivo nem totalmente confiável, devendo você fazer um novo teste, pelo menos, depois de três meses passados de uma exposição arriscada. Se você pratica sexo inseguro e/ou desprotegido, é um erro achar que após o resultado negativo de um teste anti-HIV você é imune ao vírus. O teste negativo não garante imunidade à infecção pelo HIV. Para sua proteção, pratique sexo seguro e/ou protegido e lembre-se que ao se proteger você está protegendo os demais.

Praticar sexo inseguro ou desprotegido, o que significa penetração com ou sem ejaculação e sem o uso do preservativo, acarreta um risco muito alto de você contrair ou transmitir o HIV. O risco mais alto é quando o sangue ou os fluídos sexuais de homens ou mulheres tocam as áreas suaves e úmidas (membranas ou mucosas) dentro do reto, da vagina, da boca ou na cabeça do pênis. Estas partes sofrem facilmente ferimentos ou traumatismos durante o ato sexual, o que aumenta a possibilidade da entrada do HIV no corpo.

O contato sexual vaginal ou anal sem a proteção adequada é muito arriscado. Quando o pênis penetra a boca, ânus ou a vagina, pode causar pequenas irritações ou ferimentos que aumentam o risco de infecção por HIV. O parceiro (a) receptivo (a) tem, provavelmente, o risco mais alto de ser infectado, ainda que o HIV também possa entrar pelo pênis, principalmente, se existem quaisquer feridas ou se ele (o pênis) teve contato durante muito tempo com o sangue ou com os fluídos vaginais infectados por HIV.


As práticas mais seguras e/ou protegidas:

Seja consciente com seu corpo e com seu companheiro (a). Os cortes, as feridas ou sangramentos nas gengivas aumentam o risco de infecção pelo HIV. O ato sexual com movimentos fortes (sexo violento) também oferece risco, pois pode produzir pequenas lesões e ferimentos que são portas de entrada para o HIV penetrar em seu corpo.

Use barreiras para evitar o contato com sangue ou fluídos sexuais. Lembre-se que a barreira natural do corpo é a pele. Se ela não apresentar cortes ou feridas, significa que está mantendo sua função natural de barreira e proteção, além de estar te protegendo contra infecções via sangue ou outras secreções. Lembre-se que o risco de você contrair o HIV é muito maior se existem feridas nas membranas ou mucosas, antes ou durante o ato sexual.

A barreira artificial mais comumente utilizada é o preservativo masculino ou feminino. O preservativo “feminino” pode ser usado tanto para a proteção da vagina quanto do reto durante o ato sexual. No caso de penetração anal recomenda-se retirar previamente o anel interno.

Os lubrificantes podem aumentar o estímulo sexual. Eles também reduzem a possibilidade de rompimento dos preservativos e de outras barreiras porque diminuem o atrito. Os lubrificantes à base de óleo como a vaselina, os óleos e os cremes danificam e rompem os preservativos ou outras barreiras de látex, portanto, você não deve usar esses tipos de lubrificação. Assegure-se de estar usando lubrificantes à base de água, tais como: KY, “Preserv gel” ou glicerina.

O sexo oral: oferece algum risco de você contrair ou transmitir o HIV, principalmente, se a boca não saudável com gengiva sangrando e/ou com feridas entrar em contato com fluídos sexuais ou sangue infectados. Pedaços de látex ou de plástico (PVC que é um tipo usado para embalagens de alimentos) utilizados para colocar em cima da vagina, ou, o preservativo no pênis podem ser usados como barreiras durante o sexo oral. Os preservativos sem lubrificantes e com sabores (odores) são melhores para o sexo oral, pois a maioria dos lubrificantes tem um sabor desagradável.


E se ambas as pessoas já estão infectadas?

Algumas pessoas infectadas por HIV não vêem a necessidade de seguirem as orientações para o sexo mais seguro ou protegido com outras pessoas também infectadas. No entanto, ainda é razoável proteger você mesmo e o outro. Pois, sem proteção (sem uso das barreiras), você pode se expor a outras infecções como, por exemplo, herpes, sífilis, hepatite etc. Quando você já tem o HIV, estas doenças podem ser mais complicadas de tratar, além de poderem complicar o seu estado de saúde num futuro.

Também pode ser possível a re-infecção com uma cepa diferente de HIV, ou ainda, com HIV já resistente a alguns medicamentos anti-retrovirais. As questões e razões para o sexo protegido nestas situações são temas polêmicos, por conseguinte, a re-infecção é também questão polêmica para pesquisadores e médicos. Lembre-se: o importante é manter-se saudável e fazer sexo seguro e/ou protegido porque protege você mesmo e seu parceiro ou parceira do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis


Coloque seus limites

Decida quanto risco deseja correr. Conheça qual proteção quer usar durante os diferentes tipos de atividade sexual. Antes de ter relações sexuais:

  • Pense no sexo mais seguro e protegido (e pratique-o);
  • Coloque seus limites;
  • Consiga lubrificante à base de água, preservativo ou outras barreiras e tenha certeza que eles estarão à mão quando necessitar;
  • Fale com seu companheiro (a) ou parceiro (a) para que ele ou ela busque e conheça seus próprios limites.

Mantenha teus limites. Não permita que o álcool, as drogas e os companheiros (as) atraentes façam esquecer que você deve proteger-se e proteger os outros.  


Em resumo

Você pode se infectar com o HIV durante o ato sexual desprotegido.  O sexo é protegido (e também seguro) se o sangue ou o fluído sexual com HIV não entram em seu corpo de modo algum por conta do uso do preservativo masculino ou feminino em qualquer forma de penetração: oral, anal e vaginal.


Preservativos


Como usar os preservativos?

Os preservativos podem te proteger do HIV e de outras ISTs durante o contato com pênis, boca, vagina e reto, desde que usados corretamente:

  • Guarde-os onde não exista excesso de calor, frio ou fricção. Não os guarde em carteiras ou no porta-luva do seu automóvel;
  • Verifique a data de vencimento. Não use preservativo fora da validade;
  • Não abra o pacote de preservativos com os dentes nem com tesoura. Tenha cuidado para que unhas ou jóias (bijuterias) não rasguem o preservativo. Os piercings no pênis ou na vagina também podem rasgar o preservativo;
  • Use um preservativo novo a cada vez que mantiver relações sexuais ou quando o pênis for movido do reto (ânus) para a vagina;
  • Verifique o preservativo durante o ato sexual, principalmente, ao sentir algo diferente, para assegurar que ainda esteja no lugar e intacto;
  • Não use o preservativo masculino e o preservativo feminino ao mesmo tempo;
  • Use, junto com preservativo de látex, lubrificante à base de água (KY, glicerina, “preserv gel”) e não à base de óleo. As loções oleosas, a vaselina e os cremes hidratantes ou de limpeza danificam e rompem o látex;
  • Use preservativo sem lubrificante e com sabor (aroma) para o sexo oral, pois a maioria dos lubrificantes tem sabor desagradável. Para sexo anal você pode usar preservativo masculino mais resistente ou o preservativo “feminino” que é feito de poliuretano que também é mais resistente que o látex;
  • Não jogue o preservativo na privada. Ele pode entupir o encanamento.
Uso do preservativo masculino:
  • Coloque o preservativo quando o pênis estiver ereto e antes que ele entre em contato com a boca, vagina ou o reto de seu companheiro (a), pois o líquido que sai do pênis antes do orgasmo conhecido como pré-sêmen e que funciona como lubrificação natural pela excitação pode conter HIV;
  • Se quiser, use algum lubrificante à base de água dentro da ponta do preservativo ou por sobre ele após estar vestindo o pênis;
  • Se não tiver feito circuncisão, empurre o prepúcio (pele que encobre a cabeça do pênis) para trás, antes de colocar o preservativo. Isso permite que o prepúcio se mova sem romper o preservativo;
  • Aperte a ponta do preservativo de modo a não deixar o ar entrar, pois esta ponta sem ar servirá de reservatório para o sêmen após o orgasmo (gozo). Em seguida, desenrole o preservativo ao longo do pênis;
  • Não use dois preservativos ao mesmo tempo. A fricção entre os dois pode fazer com que ambos se rompam;
  • Depois do orgasmo, segure na base e na ponta do preservativo e retire-o antes que o pênis perca a ereção (amoleça);
  • Tenha cuidado para não derramar o sêmen dentro de seu companheiro (a) quando tirar o preservativo.
Uso do preservativo feminino: 
  • O preservativo feminino é uma bolsa de poliuretano com dois extremos: um fechado e outro aberto. Existe um anel flexível em cada extremo, sendo um anel fixo no extremo maior e aberto e outro anel móvel no extremo fechado e menor;
  • Coloque o preservativo em seu lugar antes que o pênis de seu companheiro toque sua vagina ou reto. O preservativo pode ser colocado até oito horas antes do ato sexual e não atrapalha a atividade de urinar;
  • Para o uso na vagina, aperte o anel menor e o introduza como fosse um diafragma. O anel maior e fixo cobre a abertura da vagina e protege os órgãos sexuais externos da mulher de infecções;
  • Para o uso no reto, retire o anel menor. Coloque o preservativo em cima do pênis ereto de seu companheiro. O preservativo será introduzido no reto junto com o pênis;
  • Guie o pênis ao anel grande para evitar o contato não protegido entre o pênis e o reto ou a vagina de teu companheiro (a);
  • Tire o preservativo antes de ficar em pé. Gire o anel exterior e maior para guardar e isolar o sêmen dentro do preservativo. Suavemente retire o preservativo e jogue-o em local apropriado (não em vasos sanitários).
  • O preservativo não pode ser reutilizado com diferentes pessoas, mas suporta até três orgasmos de um mesmo parceiro. Muitas mulheres dizem que o anel maior que protege a parte externa da vagina, ao friccionar o clitóris, ajuda no alcance do orgasmo (gozo) feminino.

 

Mitos do preservativo

Os preservativos não servem: o preservativo funciona muito bem se usado corretamente cada vez que tenha relações sexuais.

Os preservativos se rompem facilmente: menos de 2% dos preservativos se rompem quando usados corretamente. Não use lubrificante à base de óleo com preservativo de látex, dois preservativos ao mesmo tempo nem preservativo fora da data de validade.

O HIV pode atravessar os preservativos: o HIV não pode ultrapassar nem látex nem preservativos de poliuretano.

  Em resumo

Usado corretamente, o preservativo é a melhor maneira de você se prevenir da infecção por HIV durante o ato sexual. Os preservativos podem proteger a boca, vagina e o reto do sêmen ou sangue com HIV. Também podem proteger o pênis do HIV presente nos fluídos vaginais ou no sangue dentro da boca, da vagina e do reto. Além de prevenirem outras infecções sexualmente transmissíveis.

Os preservativos devem ser armazenados, usados e jogados fora corretamente. Você pode usar o preservativo “feminino” tanto na vagina quanto no reto (neste caso é recomendado retirar previamente o anel interno). Lembre-se: é melhor prevenir do que remediar, como diz o ditado popular. Ou seja, a prevenção ainda é o melhor remédio na luta contra o HIV.

 


Para obter informações sobre:

  • Como são aprovados os medicamentos contra o HIV?
  • As análises de laboratório
  • A bioquímica do sangue
  • O açúcar sangüíneo e as gorduras do sangue
  • Como deter a expansão do HIV?
  • O uso das drogas e o HIV
  • Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

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